POEMA: A FLOR VERMELHA.

Parte 1 A flor

Muita chuva além da janela.

Como não lembrar?

Não tem como esquecer!

Lembrar-me da recente morte da flor vermelha,

Que resgatei do chão,

No caminho da previsível corrida,

De ontem de manhã.

flor
Imagem: Pixabay

 

Flor pisada!

Rosa encharcada!

Tanta água para minúscula criatura,

Abandonada em tão breve vida!

 

Paixão, amor, desejo e destruição.

Ingredientes regados a vinho tinto por uma flor vermelha,

Arrancada de sua próspera terra,

Para testemunhar o esperado possível,

Que virou o impossível,

Como a chegada de um tremor.

 

Parte 2 A flor

Pobre flor!

Encheu-se de uma felicidade enganosa,

Mas morreu tão desfigurada,

No trincado copo esquecido da minha cozinha!

 

Olho novamente a intensa chuva pela janela,

Mas não esqueço da pobre rosa vermelha.

Enterrada, agora a pouco, no encharcado lixo orgânico,

Que havia sobre a minha pia.

 

Preciso voltar a correr

Por amor, paixão e desejo,

Mas sem imprevisível destruição.

 

Testemunha já não quero ser.

Sentença que acabo de receber,

Logo após desfazer-me do outro lixo.

Daquele trincado copo da cozinha.

 

Resta-me senão ignorar as chuvas que me paralisam

Para a corrida voltar.

Meu coração certamente irá bater,

Caso outra rosa achar

E dela, com falsa esperança, cuidar

De irrecuperável dor que não fiz.

 

Brasília, 5 de outubro de 2017 às 20:54

 

©‎ Bomani Flávio dos Santos Ferreira

 

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