POEMA: VIRAÇÃO DO DIA OU NO POR DO SOL.

 

Parte 1 Viração do dia ou naquele por do sol.

 

É na viração do dia que costumo ir para o balanço da minha desgastada rede,

Onde procuro ansiosamente resgatar o dia que se foi.

Balanceio-me suavemente para viajar no tempo.

Ambiente que conheço, porém perdido,

Por causa das rígidas leis da natureza.

entardecer
Imagem: Flickr

 

Desligo as luzes da varanda para as trevas mais cedo chegar.

Porém, de tanto balançar, após algum tempo,

Constato a esperada realidade:

Não consegui recuperar o dia que se foi.

O esforço foi em vão.

 

Não devo, não devo chorar.

A frustração não vai ajudar.

A impotência ganhos não me dará.

 

A verdade é que não se recupera o tempo perdido com choro,

Nem se acha o tempo que se foi com o balançar de uma rede.

 

Posso balançar quantas vezes quiser,

Mas a viração do dia em nada recuperará o tempo que se foi.

Parte 2 Viração do dia.

Percebo, porém, que meu estranho ritual diário tem conquistado minha vira-lata,

Que late, com expectativa, quando estaciono o carro na garagem,

À espera da hora da rede.

 

O tempo com minha cadelinha,

Que gosta de ficar embaixo da rede logo que balanceio,

Recupera, de alguma forma, o instante de tempo que se foi.

 

Mas vejo também,

Escondida sobre o vazio vaso de planta,

Minha galinha pretinha,

Ansiosa para chocar.

Fica ali dias.

Testemunha silenciosa,

Do balançar da rede.

 

O tempo perdido, que vivenciei vinte e quatro horas,

Ao longo do dia que se foi,

Jamais recuperarei.

Nunca conseguiria dobrar as indobráveis leis físicas,

Em qualquer passagem de tempo.

 

Mas é na viração do dia que estão os mistérios da vida.

Fronteira do dia que se foi e da noite que chega.

Instante que encanta e cega, que é o próprio tempo que se foi.

 

Brasília, 06 de outubro de 2017.

 

©Viração do dia. Poema de‎ Bomani Flávio

 

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