Quem sou eu?

 POEMA: QUEM SOU EU?

Parte 1. Eu ainda não sei quem sou.

Quem sou eu?

Além da certidão de nascimento,

E de outros registros oficiais,

Eu ainda não sei quem sou,

Quem eu seja,

Nem quem em breve serei.

quem sou eu
Imagem: Pixabay

 

Com meus trinta anos de idade,

Talvez mais, talvez menos,

Somente agora me convenci o que eu seja.

Não sou exclusivamente uma certidão de nascimento,

Nem exclusivamente outro documento público,

Além do rosto que vejo no espelho.

 

Sou também as fotografias,

Que tiram, às vezes, contra minha vontade,

Em cliques imprevisíveis,

Que mostram, em lapso de segundo, como sou.

 

Mesmo assim, eu ainda não sei quem sou.

Porém, ao acordar hoje de manhã,

Percebi que posso ser o registro particular,

Tais como o bilhete,

O relato no diário.

Meus relatos nas redes sociais.

Às vezes muito mais difícil de lidar

E que, por algum motivo,

Pode levar a criar mais um registro,

Entre tantos que já tenho.

Parte 2 Eu ainda não sei quem sou.

Não sei se será fardo ou sujeição,

Porque, quando sou eu, às vezes me assusto,

Os outros se apavoram

E muitos choram.

 

Retraio-me como um caramujo quando não bem-vindo.

Preciso, na verdade, aprender com os fatos e atitudes

Que levam a algum tipo de inteligência,

Entre tantas disponíveis.

Como a emocional, a artificial.

Dizem até que há a competitiva ou a múltipla.

 

Preciso ser, na verdade, eu mesmo.

Bem próximo ao que a divindade disse a Moisés,

Nas distantes campinas do deserto:

“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU.”

A divindade sabia quem era.

Disso não duvidava.

 

Preciso ser.

Mas, no momento, deparo-me com três pinturas invisíveis,

À minha frente:

Quem eu sou,

Quem eu seja

E quem eu serei.

Parte 3. Eu ainda não sei quem sou.

Somente sei que os registros oficiais são oficiais.

Quem eu seja,

E quem eu serei,

Estarão nos registros particulares,

Que podem criar outro registro oficial.

 

Eis a felicidade ou a minha tristeza.

Certo é que eu ainda não sei quem sou.

Porém, pensando bem,

Sou, na verdade, um registro, 

Pendente de juízo crítico.

Quer dizer, uma inteligência desconhecida,

Perdida em um País distante no mundo,

Perdida em uma bela capital distante no mundo.

 

©Quem sou eu? Poema de Bomani Flávio

 

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