Morte natural.

 POEMA: MORTE NATURAL.

Parte  Morte natural

 

Quando morreres, por morte natural,

Tenha um leão para abraçar.

De qualquer raça, credo ou nacionalidade.

Abraça tu para sentir o cheiro do cauteloso quadrúpede.

Recline tua cabeça em qualquer lugar do pelo animal.

 

Quando morreres, por doença,

Tenha o felino da selva para abraçar.

Capaz dele não chorar,

Nem fazer escândalo para te acalmar.

morte natural
Imagem: Pixabay

 

Se preferires,

Conte tua vida para o animal.

Nos mínimos detalhes,

Como se o bicho fosse o único ser vivo que pode te ajudar.

 

Prefiras um assento para vislumbrar paisagem exuberante,

Enquanto contarás relato absurdo da longa ou breve vida.

Não esconda nada do bicho,

Porque terás tempo para narrar.

 

Mas se não morrer, por morte natural,

Tudo poderá ser em vão.

Terá apenas palavras amigas no funeral.

Talvez alguns cânticos.

Quando todo mundo for embora,

A solidão do cemitério.

 

Brasília, 29 de outubro de 2017 às 20:33

 

©Morte natural. Poema de Bomani Flávio

 

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