São Paulo: liberdade ou amizade improvável?

POEMA: SÃO PAULO: LIBERDADE OU AMIZADE IMPROVÁVEL?

Parte 1 Liberdade ou amizade improvável.

 

Sequer liberdade tenho nesta enorme e pujante cidade,

Com densas casas verticais,

Que se multiplicam rapidamente na extensa paisagem.

Às vezes meus olhos cansados só percebem a mudança,

Nesta São Paulo que amo,

Quando estou em um mirante de tremer as pernas.

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São Paulo/Brasil Imagem: Pixabay

 

Exuberante savana.

Isso que é.

Cheia de animais. 

 

 

Bichos, porém, com aparência de ovelha,

Em pele com chapa de aço.

Três, quatro e tantos cilindros.

Há pouco precisava-se apenas de dois.

Haja barulho contra os sensíveis tímpanos,

Feitos de carne!

 

Baita cidade-planeta!

Gente conectada ao celular.

Ouvidos quase sempre ocupados.

Sabe-se lá com o quê!

 

 

Paredes invisíveis,

Porém possíveis de se ver,

Em abrir e fechar de olhos.

Basta olhar em cada esquina,

Em cada rosto que não se ver.

 

 

Alfa, gama ou beta.

Não importa como classificam esta superestrutura,

Mas foi a vila que escolhi para morar.

 

 

Até que tento sair à rua,

Uma, duas, três.

Quantas vezes for possível,

Após mais um dia de trabalho ao lar voltar.

 

 

Mesmo assim, ponho o pé várias vezes na rua,

Mas vejo onças e leões,

Em cada rosto e

Em cada olhar.

 

Zoológico invisível diante de meus olhos,

Com sutil toque que me faz retrair.

A estranha vizinhança impõe restrição,

Que nenhum animal de estimação se ponha a cuidar.

Meu Deus! Estou perdido nesta enorme gaiola!

Cheia de carros, barulho e gente apressada!

Mas foi a vila que escolhi para morar.

 

Parte 2 Liberdade ou amizade improvável.

Se é para levantar e andar,

Vejo a bicicleta quebrada,

Que não sei consertar

E muito menos pedalar.

Só pode ser amizade improvável,

De uma liberdade a desafiar.

Apenas tenho que recomeçar.

 

 

Nem sei consertar bicicleta,

Muito menos carro tenho para levá-la,

Nesta mesma cidade-planeta,

Que GPS precisa para andar.

Mas está aí a superação,

De um novo reinício a superar.

 

 

Vai rapaz, que sou eu,

Arrume você mesmo.

Ajuda do Google você tem,

Para bicicleta consertar.

Se não souber, aprenda.

Amizade improvável também é da vida.

 

Parte 3 Liberdade ou amizade improvável.

 

Com o vento na cara,

Finalmente vou me soltar.

Vencerei onças e leões,

Talvez anacondas,

Que ao zoológico vão retornar.

Bem certo é que não vou deixar os animais me assustarem,

Se sou um animal que também pode amedrontar.

Não se pode abandonar cidades-planetas.

São Paulo foi a vila que escolhi para morar.

 

Brasília, 27 de novembro de 2017 às 06:14
©São Paulo: liberdade ou amizade improvável. Poema de Bomani Flávio

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