O piolho na minha cabeça.

POEMA: O PIOLHO.©‎

Parte 1 O piolho.

Meu ser agoniza,

Com gestos estranhos em casa e na rua,

Por um piolho que grudou,

Sem causa alguma,

Em minha cabeça.

Ida constante ao espelho.

Esposa que não localiza o bicho.

Parentes que reforçam a varredura.

Exames médicos negativos.

Ninguém encontra,

Ninguém vê,

Na careca cabeça,

A causa da minha queixa.

Nada disso alivia, nada mesmo,

O bichinho que sinto na cabeça.

piolho
Imagem: Pixabay

 

Tamanha gozação na rua,

Gozação no mercado e na feira,

De um homem que sai todo torto na rua,

Reclamando de inseto na cabeça.

Não tenho contato com cachorro.

Gato muito menos.

Há tempos que não vou ao zoológico.

Não tem explicação para um bicho na cabeça.

Parte 2 O piolho.

Minha cabeça vermelha de tanto coçar.

A paz de espírito se perdeu na quebrada da rua.

Todos com um unânime diagnóstico:

O piolho só deve estar na minha cabeça.

 

Nunca fiquei tão nervoso.

A impaciência mordeu meu rosto.

Ninguém me entende.

Minha confissão a ninguém convence.

Palavra por palavra,

Somente eu entendo meu ser.

 

Ser que agoniza entende outro ser que agoniza.

Não vou reprimir o que sinto na minha cabeça.

Sentir é sentimento.

É forma de argumento,

Que sai lá de dentro.

 

Quando alguém finalmente ver,

Então vou dizer que não tem inseto nenhum em minha cabeça.

Será o vocabulário de muitas negativas.

 

Brasília, DF, Brasil, em 04 de abril de 2018.

 

O piolho. Poema de ‎Bomani Flávio.

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