No bar.

 

POEMA: NO BAR.©

Parte 1 No boteco.

 

No bar, quanto cheiro de cuspe! 

Fruído que vejo no chão.

Secreção na parede, no teto.

Cuspe misturado com cheiro de cigarro.

Cuspe claro com outro mais escuro.

Babel de cheiros e cores que atraem meu ser!

bar
Imagem: Pixabay

 

Porém meu outro ser ficou zangado.

Ciúmes à flor da pele.

Detesta cheiro de cuspe.

Critica o cigarro e a fumaça.

Reprova o bar,

Lugar aonde nunca foi. 

 

Disparidade que tem gerado briga.

Confronto entre dois rivais,

Com sobrenome diferente,

Dentro do meu próprio ser.

Seria rival A contra B?

 

Meu ser me obedece.

Meu ser me desafia.

Rezei.

Orei.

Frequentei as novidades da meditação.

Andei nas campinas do cerrado.

Ao boteco, porém, não voltei.

Antidepressivo para um ajaulado.

 

Parte 2 No boteco.

 

Enfrentar-se é guerra árdua,

Pois não tem como se repartir.

Mas o cheiro de cuspe no botequim,

Secreção na parede, no teto,

Tudo saiu da boca de alguém.

De muita gente, mais com mais.

Cada secreção uma estória,

De muitos minutos,

Talvez horas,

De muita conversa.

E eu aqui, na minha controversa,

Na casa limpa e organizada,

Sem ninguém ao menos para uma conversa.


Brasília, DF, Brasil, em 24 de abril de 2018.

 

No bar. Poema de ‎Bomani Flávio.

 

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