Muros que separam a sociedade.

POEMA: MUNDO DE MUROS.

Parte 1 Mundo de muros.

Mundo de muros,

Mundo de oportunidades.

Todos querem pedaço de pão.

Sem o pão ninguém vive.

Sem o pão ninguém se veste.

Sem o pão ninguém brinca.

Pedaço na mesma proporção,

Igual para todos.

No início do mundo talvez fosse assim.

Nos dias atuais não é bem assim.

mundo de muros
Bernauer StraBe – Imagem: Pixabay

 

Pão continua sendo pão,

Mas há pão para todos os gostos,

Para vários sabores.

Pão continua sendo pão,

Porém com extras, muitos extras, além do pão.

 

Todos querem pedaço de pão,

Que virou joia preciosa da modernidade.

Tão escasso, porém, que se fatiou.

Há pedaços maiores para poucos.

Pedaços menores para muitos.

O menor pedaço para muitos de muitos.

O menor pedaço para milhares de milhares.

Quem cortou, ninguém sabe.

O culpado ninguém vai dizer.

Parte 2 Mundo de muros.

Todos querem pedaço de pão.

Mata-se pelo pão.

Esnoba-se pelo pão.

 

Todos, pois, querem pedaço de pão,

Que virou lamborghini, bugatti, ferrari.

Iates de um, dois ou três andares.

Salários milionários,

Que sobram nas poupanças,

Nos paraísos fiscais.

Diárias de hotéis caríssimos.

Vestidos mais caros que a casa mais bonita.

Casas enormes transformaram-se em cidades.

Esse o pão de hoje.

Também era de ontem.

No início dos tempos talvez não fosse assim.

 

Precisa-se proteger o pão,

Precisa-se proteger os pedaços de pão.

Proteger as cidades, as fronteiras, é proteger o pão.

Quem cortou, ninguém sabe.

O culpado ninguém vai dizer.

No início dos tempos talvez não fosse assim. 

Parte 3 Mundo de muros.

Talvez fosse como o muro de Berlim,

Que caiu, em prol de todos.

Euforia, no entanto, que teve pouco gozo,

Pois hoje levantaram-se mundo de muros.

Há muros entre a Cisjordânia e Israel.

Muro da Vergonha em Lima.

Muro entre a Sérvia e a Hungria.

Entre o Quênia e a Somália.

Entre o México e os Estados Unidos.

Muro na Vila Esperança na Imigrantes.

Tantos muros no Brasil.

Tantos muros na minha cidade.

No início dos tempos talvez não fosse assim.

 

Assim, o pão é a joia preciosa da modernidade,

Que foi fatiado em pedaço maior,

Para poucos.

Fatiado em pedaço menor,

Para muitos.

Quem cortou?

Na verdade, ninguém sabe.

No início dos tempos talvez não fosse assim.

 

Mundo de muros que cresce.

Assusta tanto que o corpo padece,

Após o ser se entristecer.

 

Nos dias atuais é bem assim.

Desse jeito, o ser também será fatiado,

Por não saber o que é viver,

Em um mundo de muros tão segregado.

 

Nos dias atuais é bem assim.

Segregação que não cabe na ficção do meu papel!

A4 que cabe muita coisa,

Até para falar de um mundo de muros,

Tão perto e tão longe do meu.

Eu que faço parte de pedaço de pão.

Naquela parte de muito de muitos. 

No início dos tempos talvez não fosse assim.

 

Brasília, DF, Brasil, em 03 de junho de 2018.

 

Mundo de muros. Poema de Bomani Flávio. 

 

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