Liberdade ou privacidade além da casa de meus pais.

POEMA: LIBERDADE OU PRIVACIDADE ALÉM DA CASA DE MEUS PAIS.

Parte 1 Liberdade ou privacidade.

Quando completei dezesseis anos de idade,
A casca do ovo trincou-se e abriu-se.
Busquei liberdade ou privacidade,
Além da casa de meus pais.
A paisagem de longe cresceu,
O quintal da casa de meus pais diminuiu.
Cisquei, voei, e como voei!
– Fui até perto do céu.
Aprendi o quanto pôde,
Mas em outra placenta me instalei.

Sai de casa
Imagem: Pixabay

 

De tanto me sentir sufocado,
Voei para minha privacidade.
Paisagem da felicidade,
Qual seja, locomoção para ir e vir,
Sem me preocupar com a hora da saída,
Nem com a da chegada.
Não importa o bairro, a cidade ou o país.

 

Viver a liberdade ou a privacidade.
Moeda mais preciosa do que o precioso do precioso.
Nada, nada mesmo, viver com ambiguidade,
Droga do submundo da opressão e da depressão,
No novo espaço que escolhi.

 

Lá na casa dos meus pais,
No outro lado da cidade,
Apenas resta a saudade,
Da corajosa emancipação que ganhei.
Prêmio para os dezesseis anos.
Se não for prêmio,
Boêmio não serei.

 

Parte 2 Liberdade ou privacidade.

 

Um brinde à emancipação.
Dez brindes a meus pais.
Deixará o menino mãe e pai,
Para não viver o dilema do ai.

 

Ai, quero minha liberdade.
Ai, não quero viver na iniquidade. 
Ai, não viverei na vulnerabilidade.
Ai, não fugirei da comunidade.
Ai, não perderei a integridade.

 

Aliás, com dez reais no bolso,
Do pão que sempre ganharei,
Quero a privacidade,
Mas também afinidade,
Entre o novo e o antigo lar,
Por causa da capacidade e do voto de confiança, 
Que ganhei.

 

Parte 3 Liberdade ou privacidade.

 

De todo modo, a emancipação virou a eternidade de um dia.
Talvez uma, duas ou muitas semanas.
Se errei na conta,
Talvez milhares de semanas,
No calendário pessoal que criei.

 

Assim, quando a casca do ovo trincou-se e abriu-se,
De tudo isto me desfiz:
Ansiedade, segredo, mutreta.

 

Na nova placenta, tudo novo.
Porém, especulação se avizinha como o incerto amanhecer.
Será que o novo ninho poderá rachar-se,
Para novos voos eu alçar?
Até mesmo para o velho lar voltar?

 

Isso eu não sei.
Ninguém sabe.
O crescer está sempre na casa, no quintal.
Tudo em mudança, que está dentro de mim,
Nos meus dezesseis anos de idade.

 

Brasília, DF, Brasil, em 09 de junho de 2018.

 

Liberdade ou privacidade além da casa de meus pais. Poema de Bomani Flávio. 

 

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