A desigualdade social deixa o ser em parafuso.

POEMA: DEBAIXO DA TERRA TODOS SÃO IGUAIS.

Parte 1 Debaixo da terra.

Debaixo da terra todos são iguais.

Mas olhe para acima da terra.

Se pintar desigualdade social,

Mesmo que por uma vírgula,

O ser entrará em parafuso.

Paisagem que apavora o ser.

Meu ser entrou em parafuso.

Ao andar na rua cheia de carrões,

Bairros com casas lindas de doer os olhos,

De pouca gente na rua,

E eu andando naquela rua,

Com pouca grana no bolso,

A procura de um emprego.

Como se eu fosse um verme,

Um Zé ninguém,

Em um mundo de aparente charme.

desigualdade social
Imagem: Pixabay

 

Quando o ser entra em parafuso,

Muitas asneiras saem da boca.

Como se o direito estivesse precluso.

 

Então meu ser bêbado disse para o outro meu ser sóbrio:

Debaixo da terra todos são iguais.

Acima da terra todos são desiguais.

terra
Imagem: Pixabay

 

Partido de cima com critérios de regalias.

Partido de baixo ninguém tem regalias.

Que extremo juízo de valor,

Para quem se acha em parafuso!

 

De tanto esmorecer no discurso do parafuso,

Meu ser sóbrio foi para casa.

Eu fiquei parafusando na rua.

Como a desigualdade social afeta o ser.

Como se eu fosse um cidadão,

De última classe. 

 

Brasília, 06 de fevereiro de 2019.

 

Debaixo da terra todos são iguais. Poema de Bomani Flávio.

 

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