A piscina gelada de Alepo.

POEMA: A PISCINA GELADA DE ALEPO.

Parte 1 Alepo.

Alepo, se a guerra acabou,

Sobraram os escombros.

Onde há escombros do terror,

Não tem como esquecer a dor.

E para evitar o vício de nova dor,

Que deixa as mães aflitas,

Os filhos estraçalhados,

Eu construiria uma piscina,

A piscina gelada de Alepo.

Alepo
Imagem: Pixabay

 

Reservatório do tamanho do céu,

Do magnífico céu das arábias,

Que a protegeria do ruim de lábia.

 

Piscina na forma de um círculo,

Com águas extremamente geladas,

Do tamanho da província,

Que circunvizinha a cidade.

 

Quando se protege a cidade,

O futuro vai se abrindo com qualidade,

De forma a diminuir a maldade.

 

Todas as cidades precisam de proteção

Contra severos meteoros,

Que os homens enviam de cima, dos lados e debaixo.

 

De todo o modo,

Era para ter havido uma piscina,

Do tamanho da província de Alepo.

Mas o que restaram foram os escombros,

Que os agressores agora dão de ombro.

 

Então chorei.

Berrei feito uma cabra,

Sozinha, no vale da dor.

 

Ninguém, pois, merece estar em um vale,

Rodeado de escombros que não fez.

Talvez fosse melhor levar todo o escombro,

No endereçamento certo, para quem o fez.

Terror devolvido com juros e correção monetária.

 

 

Brasília, DF, em 10 de maio de 2019.

 

A piscina gelada. Poema de Bomani Flávio.

 

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